Dicas de Passeios e Roteiros voltar
*Luis Carlos Negri
28/02/2011 - Campinas e Jaguariúna:
A “Maria Fumaça” nos trilhos da história
Campinas, localizada a 95 km da capital, é uma cidade que cresceu impulsionada pela força da Maria Fumaça. Em 1872, surgia a Ferrovia Paulista de trens, modernidade que levava ao porto de Santos o “Ouro Verde”, como era conhecido o café produzido nas lavouras de nossa região. Estendeu-se por todo interior paulista, recolhendo café e suspiros da população.

Logo depois surgia a Ferrovia Mogiana, que passava por caminhos cortados entre os montes do final da serra da Mantiqueira. Todas as duas eram ícones da modernidade e da agilidade, eram sonho de consumo da população. Até hoje se fala com orgulho, “Meu pai trabalhou na Mogiana”, “Meu tio era Chefe de Estação”. A importância desses cargos no auge das ferrovias era comparado, aos dias de hoje, a de um administrador de empresa. Na região (no distrito) de Joaquim Egídio, localizado em Campinas, podemos encontrar o Sr. Marco Vicentini cuidando da estação do distrito, hoje como funcionário da Secretaria de Cultura da Prefeitura de Campinas. É um dos que falam com orgulho sobre a profissão do pai, que foi chefe de estação.

Na estação de Jaguariúna, a 134 km da capital, encontramos um senhor que cuida do museu local e fala com orgulho de sua antiga profissão na estação.
Ainda continua por lá como alento a sua aposentadoria compulsória e como chefe de uma maquete com um pequeno trem percorrendo os trilhos desse trecho. Sua maior alegria é quando alguém pergunta a ele se o trem funciona, lá vai ele mostrar a partida da locomotiva que em sua mente deve se transformar no primeiro dia de chefe de estação. No dia em que você passar por lá peça a ele para fazer funcionar o pequeno trem.

Nada disso teria tanto valor se fosse só contado, porém você pode reviver essa época: embarque nessa história em um passeio de algumas horas, venha sentir a emoção que nossos antepassados sentiram ao ouvir o apito anunciando a partida. Volte a ser criança.

O início dessa jornada é em Anhumas uma região onde era uma das mais antigas fazendas de Campinas, hoje Estação Anhumas*, palco de muitos acontecimentos. Desde a história real até as ficções vividas por novelas de época que são filmadas por lá, com fotos nas paredes do “guichê” de compras dos bilhetes. O apito estridente da máquina soltando fumaça por todos os lados “arrepia até a alma”, emoção única para os tempos de hoje.

O embarque é precedido de uma pequena explicação sobre as ferrovias, em geral contada pelo atual Chefe de Estação, Wanderlei, um sujeito bem alto com um boné da época em que havia trens partindo todos os dias, hoje esse roteiro só acontece aos sábados domingos e feriados.

Ao entrar no vagão se nota a diferença dos transportes mais modernos, é tudo muito simples, o que na época deveria ser muito luxuoso. Bancos de madeira, na segunda classe e na primeira com uma pequena almofada no encosto. Na entrada do vagão  o “Toillet”  e as luzes vem de um “abatjour” todo trabalhado, eram as marcas da sofisticação.

Mais apitos e o primeiro tranco, partida nada suave, indicam o início da viagem, a estação vai ficando para trás e a sensação de um misto de curiosidade com saudades de quem parte vai tomando conta de nossas sensações é a magia do turismo penetrando nossas almas.


Com uma velocidade incrível, lá vai a Majestade Maria Fumaça, assumindo seu papel de desbravadora, o balanço dos vagões é acompanhado pelo som das rodas nos trilhos e de vez em quando um apito que ecoa ao longe.  Esses sons serão o elo de nossas lembranças sempre que se falar desse passeio.

São muitas as estações que a locomotiva vai deixando para trás, uma em especial chama nossa atenção, não só porque ali é um ponto de parada, mas por nos mostrar o âmago da fábrica de sonhos. Ali se pode ver como são reconstruídas as máquinas e vagões, estamos na Estação Carlos Gomes, oficina de recuperação que leva o nome de um dos maiores maestros de Campinas. Homenagem digna aos dois maiores divulgadores de nosso país, o trem e a música.


Continuando a jornada, chegaremos a Jaguariúna, (Jaguariúna é vocábulo indígena que significa "Rio da onça preta". Do Tupi yaguá: onça; y: rio; e una: preto).

A chegada a cidade é sempre triunfal, o apito vai precedendo a chegada dos ilustres visitantes, assim você pode se sentir um “Barão do Café” chegando de viagm em direção as suas propriedades ou de um estudante, quando chegava de volta ao lar, depois de anos de estudos na capital, cuidado para não ficar procurando os amores de sua infância te esperando na plataforma.

Na chegada, mais algumas surpresas, a rotunda, um pedaço de trilho, localizado no fim da linha, que serve para girar a máquina e deixar preparada para a volta. O interessante é que só quatro homens são necessários, para empurrar toneladas de aço. Um dos chefes de estação nos explica a parte teórica do funcionamento da locomotiva e seus segredos, com direito a tocar o sino. Para completar o passeio, visita ao museu do trem, aproveite para tirar fotos  nos trilhos do trem com uma locomotiva vindo em sua direção, fotos com roupa de época que poderá servir como lembrancinha da viagem e se você lembrar peça ao  ex-chefe de estação que toma conta do museu para  ligar sua mini ferrovia, com certeza ele fará isso com o maior prazer.


Antes de embarcar para a volta, passe alguns minutos na feira de artesanato que fica na praça da estação e boa viagem. Se precisar de um guia par acompanhar seu grupo, entre em contato comigo pelo e-mail  negriguia@gmail.com, terei o maior prazer em acompanhar seu grupo ou indicar um guia para isso, mas, só contrate guia credenciado pelo Ministério do Turismo e exija o uso da credencial em local visível.

Boa viagem!

* A Estação Anhumas é uma estação de trem no município de Campinas, mantida pela Associação Brasileira de Preservação Ferroviária, ponto inicial de uma linha turística com locomotivas a vapor que vai até a cidade de Jaguariúna. A estação possui esse nome em função da proximidade do Ribeirão Anhumas, que por sua vez recebeu esse nome por ser sido no passado o pouso invernal das anhumas, uma espécie de ave pantaneira. Fonte: Wikipédia

Texto e fotos de Luis Carlos Menezes Negri, autorizada a divulgação pelo site www.cidadespaulistas.com.br e associados


Navegador: Campinas
  • Distância da Capital, dados e localização
• Como chegar e programa de calculo de pedágio
• Conheça a região e suas cidades
• Distância entre cidades da região